Oi pessoal. Hoje eu não tenho resenha, mas tem
algo que eu queria compartilhar com vocês.
Eu
estava assistindo alguns vídeos no youtube e me deparei com um sobre rapazes
que davam uma pizza a um mendigo. Me interessei e cliquei para assistir,
pensando que eles haviam feito apenas isso, mas o conteúdo do vídeo é um pouco
mais do que isso. Antes disso eles, que eram 3, pediram comida a pessoas que
estavam comendo na rua, dizendo que estavam com fome e perguntaram se as pessoas
poderiam dividir sua comida com eles. Todos negaram. E então dois dos rapazes
deram a um mendigo alguns pedaços de pizza. Minutos depois o terceiro rapaz que
não tinha ido deixar a pizza foi até o mendigo e pediu um pedaço. O que vocês
acham que o mendigo fez? Dividiu a pizza com ele.
Eu
não me surpreendi muito, afinal o mendigo sabia o que era passar fome, ele
entendia o rapaz e por isso dividiu com ele. As pessoas a quem eles recorreram
nas ruas provavelmente nunca passaram fome, logo não compreendem o que alguém
que não tem condições para se alimentar passam.
Me
senti tocada pelo conteúdo do vídeo e resolvi ver outro intitulado “Posso usar
seus sapatos?” Nesse um rapaz pede as pessoas que lhe emprestem o tênis pra ele
voltar pra casa pois os dele foram roubados e promete que volta pra devolver.
Ele começou perguntando as pessoas que passavam pela rua. Se não me engano
apenas um emprestou. Depois ele foi até os mendigos, que lhe emprestaram o
tênis que usavam e que provavelmente era o único que tinham.
E
depois esse eu vi vários vídeos e fiquei envergonhada. Porque eu não vou mentir
pra vocês, eu não sei se eu emprestaria. Nunca passei por isso e nãos sei se eu
emprestaria.
Eu
penso muito nisso. Sempre que vejo um mendigo e eles me pedem dinheiro eu fico
com o coração na mão porque eu nãos sei se posso confiar neles. Como saber se
não são pessoas de má índole usando a boa vontade das pessoas pra se dar bem? Mas o mais incrível é que a gente pensa isso só quando a pessoa é mal arrumada né?
Se
vem um moço todo arrumado, bonito e pede dinheiro emprestado a gente, a chance
de emprestarmos é maior do que se ele fosse um mendigo. Vai negar?
Isso
é triste. Não falo pelos outros. Falo por mim que penso exatamente assim e na
maioria das vezes ajo assim mesmo sabendo não ser o certo.
Agora
vou compartilhas as experiências que eu já tive em relação ao assunto especifico e como aprendi com elas.
Uma
noite quando cheguei da escola, minha mãe disse que um homem bateu na porta de casa e pediu comida. Minha mãe ficou com medo, mas pediu pra que ele
aguardasse que ela ia ver o que tinha. Então ela pôs em uma vasilha um pouco de arroz, feijão, uns pedaços de carne assada e um pouco de salada, que era o que
tinha sido o jantar. Encheu um copo com água e levou pra ele.
Ela
contou que não esperava que ele devolvesse a vasilha ou o copo, mas pouco
depois alguém bateu na porta, e era ele pra devolver o recipiente onde estava a
comida, o copo e a colher. Entregou e agradeceu. Depois disso foi embora.
Depois
disso ela ficou pensando no assunto. Em como ela tinha pensado errado sobre o
homem. o medo quase fez com que ela não o ajudasse, mas algo em seu coração
disse a ela que ela poderia confiar nele, que ele não lhe faria mal.
Outra
vez estávamos em uma pizzaria no centro da cidade, quando um morador de rua
chegou na mesa e pediu dinheiro ao meu pai. Meu pai não gosta de dar dinheiro a
moradores de rua porque eles podem usar pra comprar outras coisas, como drogas
ou bebidas, então meu pai perguntou se ele tava com fome. O homem respondeu que
sim. Então meu pai disse pra ele esperar a pizza chegar que ele ia lhe dar um
pedaço.
O
homem saiu, e quando a pizza chegou a nossa mesa ele voltou. Como o prometido
meu pai pediu pra garçonete embrulhar o pedaço de pizza para o homem e lhe deu
um copo de refrigerante para acompanhar.
Assim
eu vi que maioria das vezes eles falam a verdade quando dizem
estar famintos, e sim devemos ajuda-los. Por outro lado, na cidade que eu moro
tem um eu sempre vi por lá. Ele fica sentado no chão, todo sujo e pedindo
dinheiro. Meu pai disse que esse homem é de outra cidade e que tem casas nessa
outra cidade, e vai pra cidades diferentes se passar por mendigo.
Então?
Se tem tantas pessoas assim como podemos saber em quem confiar? É simples. Não
tem como saber. O certo é ajudarmos e pronto.
Eu
sei que é difícil. Acreditem eu sei. Mas não sei se já fizeram isso, mas no dia
em que fizerem vocês ficaram tão felizes. A sensação de dar o que comer a quem
sente fome, de agasalhar quem sente frio, de acalmar quem está aflito é tão
boa, mas tão boa. E eu confirmo que é verdade que quando você ajuda alguém você
ganha muito mais porque você se sente bem. No fim o presente quem ganha somos
nós.
Pode
ser que alguns de vocês pensem: Ah Romane, mas duvido que você faça isso. É
verdade, não faço muito. Infelizmente meu coração ainda é cercado por espinhos
implantados nele. Mas não pense que esses espinhos são somente pra pessoas
menos desfavorecidas. Não. Os espinhos são uma arma que pessoas de boa
aparência, conhecidas e queridas por mim implantaram nele quando quiseram fazer
exatamente o que mais temos medo ao ajudar quem precisa. Elas mentiram,
enganaram e se desfizeram da minha confiança.
Viram
o que eu disse? Pessoas de BOA APARÊNCIA, CONHECIDAS E QUERIDAS por mim. Nada
disso vale. Alguém pode usar uma veste toda rasgada e te ver apenas uma vez
enquanto você passa na rua e se importar com você mais do que aquele parente ou
“amigo” com quem você cresceu.
Eu
só sei disso porque passei por isso. Pessoas de confiança que julgava amigos me
decepcionaram, e eu nunca achei que tivesse dado motivos para merecer isso. Mas
com isso eu criei essa barreira quase intransponível, onde dificilmente surge
uma brecha. Mas hoje surgiu.
Quando
minha mãe me contou sua experiência eu fiquei tocada, e parei pra pensar mais
nessas coisas. Porque a verdade é que eu nunca tinha parado pra pensar nisso, e
com “nisso” me refiro a essas pessoas que vivem a margem da sociedade, é assim
que dizem né? Pois bem. Nunca tinha parado pra pensar nelas. Se se alimentam,
como dormem, como vivem, como é sua saúde, até aquele dia. A partir daquele dia
eu comecei a pensar, principalmente nas crianças. Principalmente nas que foram
abandonadas pelos pais ou que fugiram de casa por sofrer maus tratos e que
agora vagam pelas ruas.
Quando
estava em João Pessoa, eu e meus amigos fomos a praia a noite. E minhas e duas
amigas minhas decidiram fazer uma tatuagem de Henna com um pessoal que acho eu morava na praia. Eles tinham dreads no cabelo, sujos, alguns visivelmente drogados e nós lá.
Não vou mentir. Apesar de já ter estagiado no CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) eu estava um pouco desconfiada, mas fiquei la com elas. Enquanto elas faziam as tatuagens eu fui comprar umas balinhas e na porta da lanchonete tinha um menino pedindo comida.
De imediato eu não parei nem pensei nele, pois naquela noite eu tava muito irritada por outros motivos, e não prestei muita atenção nele. Mas ai meu amigo me lembrou do menino, isso quando a gente saiu. Então quando a gente ia voltar pra comprar um lanche completo pro menino ele já tinha ido embora.
E afinal o que eu quis dizer com isso? Que eu sei que com o mundo como está ficamos com medo de ajudar ou dar atenção aos desconhecidos, principalmente quando já temos em mente que pessoas pobres, moradores de rua, usuários de drogas e alcoólatras não merecem a nossa atenção, não merecem nem nossa consideração, mas eles merecem. E nós também merecemos a chance de ter a coragem de fazer o bem sem esperar receber nada além de um "obrigado" acompanhado de um sorriso sincero.
Bem gente eu nem sei explicar bem porque eu quis contar isso a vocês, não sei explicar, só sei que senti essa necessidade. E eu queria saber de vocês se já passaram por alguma situação parecida e o que fizeram. Bom, era isso. Fiquem bem, e até a próxima. Beijos...


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