O amor nos tempos de ouro - Marina de Carvalho
Olá pessoas!!!!
Voltando depois de anos de enclausuramento para falar sobre os livros que li nesse tempo de sumiço. Não li apenas ele, no entanto é dele que vou falar porque é nacional e me surpreendeu. Se você acompanha as resenhas escassas desse blog, deve saber sobre meu relacionamento conflitante com autores nacionais, por isso que esse merece um espaço por aqui.
Aqui nós conhecemos a história de Cecília Lavigne . Uma francesa que após perder toda a família em um naufrágio, foi enviada para viver com o tio, seu tutor, que já conseguiu para ela o casamento "vantajoso" ( para ele só se for) com um rico fazendeiro de Minas gerais no Brasil. Cecília está devastada. Perdeu todos que amava e ainda seria obrigada a se casar com um homem que só pelo fato de aceita-la como mercadoria, já o encarava como horroroso. Ela não sabia ainda, mas estava certa.
Ao chegar no Rio de Janeiro nem teve tempo de desfazer as malas e o tio ja iria enviá-la até a fazenda do seu futuro marido. Então com toda altivez, com toda coragem, e com todo ódio e ressentimento por ser retirada do seu lar e ser obrigada a algo contra sua vontade, ela seguiu acompanhada por Fernão, aventureiro contratado para levar a "mercadoria", no caso Cecilie, até seu noivo e futuro marido.
Os dois de cara não se deram. Preconceitos por parte de ambos fizeram com que não se suportassem antes mesmo de se conhecer. Ele achava que ela era uma francesinha interesseira e caprichosa, pois só isso justificativa alguém querer se casar com um homem como o Sr. Euclides. E ela por ele ser o responsável por entregá-la ao seu miserável destino, pois uma pessoa disposta a isso não tem coração.
Durante a viagem eles passam a se conhecer e a criar um certo laço que para Fernão não poderiam existir, pois por mais que ele quisesse aquela mulher que se revelara forte, destemida, resistente e que batia de frente com ele, eles eram de mundos diferentes e receberam criações diferentes. Ela mesmo sendo teimosa era doce e altruista. Ele já tinha capturado e matado tantas pessoas em troca de dinheiro que ele não se achava digno do amor de uma mulher como ela.
Já Cecilie não sabia o que pensar do homem bruto no entanto lindo que hora lhe dava medo, hora lhe dava segurança. Achava que quando se apaixonasse seria por um homem perfeito como seu pai, no entanto estava perdida, pois seu coração já pertencia ao brutamontes sem coração que mesmo ela lhe suplicando que não a levasse ao seu noivo optou por concretizar a missão. Sendo assim lá estava ela sob os domínios do Sr. Euclides. Um homem cruel e violento. O que seria dela?
Por que eu gostei desse livro?
Marina escreve divinamente bem. Os diálogos são coerentes, e a protagonista foi a primeira protagonista que não toma atitudes para se mostrar. Como assim?
As coisas que ela fala, ou faz não são para impressionar alguém, ou para fazer ciúme, ou para se achar superior. Ela o faz porque é no que acredita, e porque é o que sente. Ela defende escravo e apanha por isso porque ele é seu amigo. Em nenhum momento ela pensa ser autossuficiente e não precisar de ninguém , ou fazer uma burrice por conta própria porque da conta. Suas atitudes tiveram consequências ruins para ela, tiveram, mas as razões dela não eram egoístas e ela sabe reconhecer seus erros. Diferente de algumas protagonistas, a maioria na verdade, que fazem idiotices o livro inteiro pra mostrar que são capazes de fazer algo. Em fim. Pela primeira vez eu gostei mais da protagonista. Cecilie é um exemplo de pessoa. Eu gostei muito do livro. Dei 5 estrelas para ele com louvor.



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